Administrar a vida doméstica, a maternidade e a carreira

Março é um mês cor de rosa, mulherzinha. Porém mais do que um movimento internacional, as homenagens devem se traduzir em valorização e reconhecimento.  

Como consequência da necessidade de  superar  obstáculos  para a auto-afirmação, da luta por fazer valer as ambições pessoais e profissionais, muitas mulheres que precisam decidir como conciliar casa, filhos e trabalho (carreira) cultivam uma  culpa estranha.

Reproduzo parcialmente texto da jornalista Glycia Emrich (Portal IG)

 

Mãe feliz, filho feliz
Sair de casa para trabalhar e passar o dia longe dos filhos não é tarefa fácil. Nessa hora, é preciso perceber que estar bem e realizada em vários âmbitos da sua vida vai fazer toda a diferença no crescimento das crianças.

“A realização pessoal agrega a seu próprio desenvolvimento como pessoa e, assim, seu filho também será enriquecido com seu crescimento enquanto sujeito”, explica Cristina Maria Magalhães, psicóloga formada pela PUC-SP, psicoterapeuta de formação psicanalítica e orientadora escolar.

Seu trabalho é uma forma de amor
Foi ao ver a lição de casa de seu filho de 5 anos, que a funcionária pública Érica Matos, 30 anos, se deu conta que sair para trabalhar era, sim, uma super demonstração de amor. “A professora do Otávio pediu para desenhar situações que demonstrassem como a família o amava tanto. E o meu pequeno, em umas das imagens, me fez na mesa do escritório, trabalhando. Ele percebeu que isso era uma forma também de preocupação com a vida dele”, conta ela.

Não é só em casa, nos passeios ao parque e quando você faz aquela comidinha especial que a criança pode e consegue se sentir amada. “Enquanto você está fora de casa trabalhando também está dando amor e se dedicando ao futuro deles, como quando está a seu lado estudando, ensinando, brincando, presenteando, ou dando limites e estabelecendo regras em sua casa. Todas estas são formas de amor – cada uma em sua hora e em seu lugar”, comenta a especialista.

Trabalhar dá visão de futuro
Explicar a necessidade de não estar em casa o tempo todo, o que você faz no trabalho e a importância dessa vivência na vida adulta é primordial. Seu filho vai encarar essa ausência de outra forma e terá noção de quantas coisas boas isso pode trazer. Érica também percebeu isso depois que saiu de casa para se dedicar ao trabalho. “Meu filho começou a ocupar o tempo em que eu não estava em casa com aulinhas de judô e desenho. Começou a ficar muito mais produtivo na escola e descobriu outro mundo de prazer”, conta a funcionária pública.

“É impulsionar a criança a ver o futuro como adulto como algo produtivo e onde se tem a ganhar – ganhar liberdade, autonomia, sustento próprio, meios de conquistar seus sonhos e desejos, de se tornar uma pessoa útil á sociedade, produzir, usar suas habilidades e mudar o mundo á sua volta”, explica Cristina.

Eles crescem com a separação sadia
É importante viabilizar a separação da mãe e da criança de forma sadia. Uma hora isso será necessário, por mais que você bata o pé – afinal, seu filho não vai passar o resto da vida embaixo da sua asa. E você também tem uma vida com outros papeis: esposa, profissional, mãe de outros filhos, companheira dos amigos.

 “A separação adequada, na hora certa e por motivos de trabalho ou necessidade de se dedicar a outros fins sociais ou familiares, tem efeito contrário e possibilita à criança alcançar uma das fases mais primordiais de seu crescimento enquanto sujeito: a busca da autonomia e a conquista de novos repertórios para resolução de problemas, adaptação ao novo, adoção de ideias e meios próprios de lidar com o dia-a-dia, desenvolvendo uma história própria e desejos pessoais, independentes dos maternos, paternos ou familiares”.

Concluindo: sem culpa!
Jogue a culpa no lixo e siga em frente. Seu filho é capaz de fazer um monte de coisas sozinho. Para ele, entender que algumas tarefas precisam ser feitas e aprendidas sem a sua presença é um ganho fundamental.

Vale lembrar que o conceito de abandono é de gente grande e só pode ser assimilado por uma criança através de um adulto que transmita isso a ela. Portanto, hora de deixar o peso de lado e lembrar que você é mulher, esposa, amiga, filha, cidadã, excelente profissional e cumpre outros milhares de papeis em sua vida – e é um orgulho deixar que seus filhos saibam disso. Serão bons frutos para você e para as crianças!

Imagem: logo da campanha do Lojão das Fábricas 2009

Comentários