Home Office – Dicas para a mulher que trabalha em casa

 

Se você trabalha em casa, mantenha o hábito de arrumar-se  como se fosse ao escritório. Vista-se e prepare-se para iniciar suas atividades.

Estabeleça e cumpra seus horários.  Determine o período para cuidar da casa e não alterne as tarefas  com sua  atividade profissional.

Programe as tarefas da casa com sua empregada ou com os familiares. Os filhos, principalmente se forem pequenos, devem receber atenção – estabeleça pausas se for o caso mas não interrompa sua atividade para atender aos chamados constantes.

PEGN – agosto/09 – Sucesso sem sair de casa – Montar um negócio no doce lar é o sonho de muita gente. Elas conseguiram

Por Katia Simões

O relógio marca 10 horas de uma manhã chuvosa em São Paulo. No noticiário, mais um recorde na capital paulista: 150 quilômetros de congestionamento. Apesar do caos, a designer Vivian Suppa, 52 anos, não mudou sua rotina. Acordou, caprichou no visual, tomou um bom café e está mais disposta do que nunca para mais um dia de trabalho. Bem-humorada, responde a dezenas de e-mails e negocia o prazo de uma ilustração. Tudo sem sair de casa. Seu birô de projetos gráficos funciona no espaço de uma suíte que ela transformou em escritório. São 18 metros quadrados preparados para atender às necessidades de uma empresa moderna, conectada com o mundo, que tem clientes no Brasil e na França. (…)

Da bancada com dezenas de lápis coloridos e muito papel saíram projetos premiados, como o livro Contos de Grimm, de Walcyr Carrasco, vencedor do Prêmio Jabuti 2007. É ali, em meio a quadros e bonecos assinados por ela, que Vivian dá expediente. “Comecei a trabalhar em casa quando era membro da Maison des Artistes, em Paris. Não me vejo presa no trânsito e escrava de horários”, diz. O modelo de negócio já tem mais de dez anos e não incomoda a clientela. A ilustradora faz trabalhos para boa parte das editoras brasileiras, além de agências de publicidade como DM9, África e WBrasil, que lhe garantem um faturamento mensal de R$ 22 mil. Sem funcionários, é a própria Vivian quem marca as reuniões e atende o telefone. Na falta dela, uma secretária eletrônica se encarrega dos recados. A empreendedora revela que o mais difícil foi convencer os filhos e a diarista de que existia uma “porta imaginária” entre a sala de jantar e o escritório. “Vez ou outra, eles ainda dão uma escorregada, mas de um modo geral tudo funciona bem”, afirma. “Só vejo vantagens em trabalhar em casa.”

 MUITA DISCIPLINA

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (a última foi realizada em 2007) revelam que, dos 19,2 milhões de brasileiros que trabalham por conta própria, 46% mantêm o negócio no próprio domicílio, onde moravam anteriormente ou no sítio. Nos Estados Unidos, 4,2 milhões de pessoas trabalham em casa, um aumento de 23% em relação a 1990 e de quase 100% em relação a 1980, conforme levantamento feito pela agência de relações públicas Burson-Marsteller. “Essa é uma tendência que se solidifica a cada dia”, afirma Francisco Barone, coordenador do Programa de Empreendedorismo da Ebape/FGV-RJ. “Nos anos 1990, consultores chegaram a prever que a maioria das pessoas já estaria hoje fora dos escritórios. Isso ainda não aconteceu, mas os avanços tecnológicos facilitam cada vez mais a tomada de decisão de transformar a casa em local de trabalho.”

Foi graças à tecnologia que a bióloga Sandra Figueira, 53 anos, conseguiu estruturar uma empresa de paisagismo em seu apartamento. “O negócio se resume a um computador com internet banda larga, um telefone fixo e um celular, e minhas ideias”, diz. A Ficus Paisagismo especializou-se na criação e manutenção de arranjos naturais, vasos e jardins em empresas. São 30 clientes, entre eles Intel, Cisco e Royaltier, além de grandes escritórios de arquitetura. Seu faturamento anual é de R$ 150 mil. “Em 16 anos de atividade, nunca fechei um contrato em casa. Vou sempre ao encontro do cliente. Preciso conhecer o local onde irei trabalhar”, afirma Sandra. O único funcionário é o jardineiro, que a acompanha desde o início. Com ele se reúne uma vez por semana para afinar as tarefas. Disposta a dar identidade à marca, ela alinhou a comunicação visual da empresa, do cartão de visita ao site. Outro cuidado foi jamais misturar os ganhos e as despesas da Ficus com as da casa. Até os carros são separados. O furgão com logotipo só sai às ruas a trabalho. “Sou muito disciplinada, tenho uma agenda bem distribuída entre visitas à clientela e prospecção de novos projetos. Trabalho de qualquer lugar, até mesmo quando viajo, porque tudo está no computador”, diz. (…)

 

De acordo com Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo da Fundação Vanzolini, a chave do sucesso dos negócios em casa está na disciplina. “São poucos os que conseguem ter horário para começar a trabalhar e para encerrar o expediente, respeitar as retiradas do pró-labore, controlar a contabilidade e manter o foco”, diz Nakagawa. E não é só isso. Não basta ter habilidade ou afinidade com o segmento escolhido para tocar um negócio em casa. É essencial ter iniciativa, independência profissional, planejamento, persistência, profissionalismo, apoio familiar e disposição para enfrentar horas de solidão. “Quem tem necessidade de interagir com as pessoas o tempo todo dificilmente se adapta à realidade doméstica”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa e tecnologia da ITData Consultoria. “Driblar esse isolamento também é essencial para o profissional se manter sempre atualizado e a empresa inteirada das novidades e das tendências do mercado.”

 

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